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Blog do Pepê Mattos
 


 

muito boa essa reflexão.

Grata!
S. M.

Aux. de Enfermagem do Trabalho

 

Grata ao Sr.Pedro pela mensagem " FANTÁSTICA!!!"

L.S., contadora

 

Obrigada

abs

A M C C D, jornalista e blogueira

 

Primeiro agradecer ao Pedro Ribeiro pela mensagem. Grata!!!
Valeu a Reflexao.
E aos amigos encaminharemos para leitura.

L.S., contadora

 

Gostei do texto pepê, é isso mesmo que devemos fazer. Vivermos a vida sem reclamarmos, pois nesse exato momento milhares de pessoas estão desencarnando em condições dolorosas, outras estão desempregadas, passando fome, sem casa p morar, tentando o suicídio, enfim, vivendo todas as mazelas que nós seres humanos criamos. Quando digo criamos é porque somos nós os personagens principais da roda da vida. Deus não é o culpado de nossos sofrimentos, nós é que não valorizamos os momentos que passamos e o que temos. Desculpe, mais, não dá pra deixar Deus fora dessa jogada, pois é o nosso sustentáculo em todas as horas. Mesmo vc não acreditando no Deus que eu creio, tenha certeza da bondade infinita dele. É por isso que te amo pois você têm mais coração que muitos religiosos de carteirinha.

M. F. B., professora

 

Esse texto me foi enviado por uma amiga da Bahia e essas são as reações que ele causou nas pessoas a quem enviei-o.

 

Cresça e divirta-se – Martha Medeiros

Tenho viajado bastante para acompanhar algumas pré-estreias do filme Divã, baseado no meu livro homônimo. Delícia de tarefa, ainda mais quando a gente gosta de verdade do trabalho realizado, e esse filme realmente ficou enxuto, delicado e emocionante. Além disso, ainda consegue me provocar. A personagem Mercedes (vivida pela incrível Lilia Cabral) está fazendo análise e leva pro consultório muitos questionamentos sobre sua vida. Até que, passado um tempo, finalmente relaxa e se dá conta de que não há outra saída a não ser conviver com suas irrealizações. Diante disso, o analista sugere alta, no que ela rebate: Alta? Logo agora que estou me divertindo?

Eu tinha esquecido dessa parte do livro, e quando vi no filme, me pareceu tão cristalino: um dos sintomas do amadurecimento é justamente o resgate da nossa jovialidade, só que não a jovialidade do corpo, que isso só se consegue até certo ponto, mas a jovialidade do espírito, tão mais prioritária. Você é adulto mesmo? Então pare de reclamar, pare de buscar o impossível, pare de exigir perfeição de si mesmo, pare de querer encontrar lógica pra tudo, pare de contabilizar prós e contras, pare de julgar os outros, pare de tentar manter sua vida sob rígido controle. Simplesmente, divirta-se.

Não que seja fácil. Enquanto que um corpo sarado se obtém com exercício, musculação, dieta e discernimento quanto aos hábitos cotidianos, a leveza de espírito requer justamente o contrário: a liberação das correntes. A aventura do não-domínio. Permitir-se o erro. Não se sacrificar em demasia, já que estamos todos caminhando rumo a um mesmo destino, que não é nada espetacular. É preciso perceber a hora de tirar o pé do acelerador, afinal, quem quer cruzar a linha de chegada? Mil vezes curtir a travessia.

Dia desses recebi o e-mail de uma mulher revoltada, baixo-astral, carente de frescor, e fiquei imaginando como deve ser difícil viver sem abstração e sem ver graça na vida, enclausurada na dor. Ela não estava me xingando pessoalmente, e sim manifestando sua contrariedade em relação ao universo, apenas isso: odiava o mundo. Não a conheço, pode sofrer de depressão, ter um problema sério, sei lá. Mas há pessoas que apresentam quadro depressivo e ainda assim não perdem o humor nem que queiram: tiveram a sorte de nascer com esse refinado instinto de sobrevivência.
Dores, cada um tem as suas. Mas o que nos faz cultivá-las por décadas? Creio que nos apegamos com desespero a elas por não ter o que colocar no lugar, caso a dor se vá. E então se fica ruminando, alimentando a própria "má sorte", num processo de vitimização que chega ao nível do absurdo. Por que fazemos isso conosco?
Amadurecer talvez seja descobrir que sofrer algumas perdas é inevitável, mas que não precisamos nos agarrar à dor para justificar nossa existência.

 

 



Escrito por pepe mattos às 07h41
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Belém perdeu. Nós podemos ganhar.

 

Belém perdeu a disputa pela Copa de 2014. Mas não foi só Manaus que venceu. Ganhou a corrupção e a incompetência administrativa. Ganharam os conchavos e a política do “primeiro eu”. E a do “primeiro os meus”. Venceu o trânsito caótico e a desorganização quase cultural em todos os setores. Venceu o “ah... deixa pra amanhã”, a falta de orientação para o trabalho e a satisfação com pouco. Ganhou a mediocridade e a falta de perspectiva, que faz todos os anos centenas de jovens universitários e recém formados irem embora de Belém, disponibilizando seus cérebros para desenvolver outros estados, outros países. Ganhou a saúde desumana e a educação ineficiente. Ganharam os carros com som alto e a música ruim, travestida de manifestação popular, quando é apenas falta de acesso ou referência. Venceu a grosseria dos atendentes. A falta de “por favor” e “obrigado”. Venceram os carros parados no meio da rua, para que seus motoristas possam falar com seus amigos na calçada, esquecendo o direito dos que aguardam atrás deles. Belém perdeu. E em primeiro lugar ficou a violência, antiga conhecida dos bairros pobres e agora já na porta, entrando nas salas em “L” dos apartamentos ricos. Ganharam as ruas esburacadas, que enchem para delírio dos ratos. Venceu a falta de creches, o abandono da infância, a prostituição infantil. Venceu o trabalho escravo doméstico, sob a roupagem de adoção de meninas do interior. Ganhou a enorme diferença social, menor apenas que o tamanho das valas a céu aberto das favelas horizontais da cidade. Ganharam os políticos caricatos e espertalhões, vindos da velha política oligárquica que só ressoa ainda nos mais afastados rincões do Brasil e seus ramais. É, Belém perdeu. Mas tem perdido há muito tempo a vergonha e ganho apenas a naturalidade cínica da indiferença. Venceu o conformismo, o jeitinho “tudo bem”. Venceu a burguesia ignorante e suas crenças no direito divino de mandar e ser servida. Mas também venceram os aproveitadores disfarçados de povo, que usam a massa para obter os privilégios que nunca tiveram. Belém perdeu. E, sobretudo, ganhou a crença de que Belém é “do cacete”, que é uma ótima cidade para morar, com povo acolhedor e amigo, o “Portal da Amazônia”. Não é. É uma cidade violenta, cara, suja, desorganizada, com alto nível de falta de educação, com poucas e mal remuneradas oportunidades de emprego e onde quem não tem um plano de saúde está perdido. Uma cidade que vive muito mais de passado que de história, ébria ainda por áureos tempos da borracha que deram às elites daqui uma patética certeza de nobreza, quando, na verdade, não passa de uma oligarquia ostentadora e interiorana. Belém perdeu. E o que vai acontecer, com toda certeza, é ficarmos mais uma vez cheios do orgulho que tiramos não sei de onde e dizer aos 4 ventos que foi por causa de uma politicagem de “não sei quem”. A típica atitude de perdedor. A forma fácil que temos de enfrentar os problemas. Belém perdeu. Porém, podemos ganhar muito com essa experiência, olhando, pela primeira vez, além do pato no tucupi, do açaí e do tacacá. Temos que perceber agora, não depois, a rota descendente em que se encontra a capital e o estado como um todo. A cidade do abandono, o estado da violência rural e do desmatamento. Temos que votar melhor, pensar mais no coletivo e não no individual. Ler mais, educar mais, trabalhar mais, reclamar mais. Chega dessa postura de rechaçar críticas por pura vaidade em nome de uma história longínqua. E cada vez mais distante, pois a história é escrita pelos vencedores. Vamos mudar Belém e o Pará começando por nossas atitudes, entendendo o direito do outro como tão importante quanto o nosso, valorizando a educação e o saber como principal patrimônio e legado. Chega de ser uma ilha, quando cada cidade hoje é global. A raiz de tudo isso, de todos os problemas, somos nós. Nós é que precisamos mudar como povo. Em 2014 não vamos sediar a Copa. Mas, com certeza, como principal cidade de uma das regiões mais importantes do Planeta, poderemos começar a ganhar o mundo.

Edgar Cardoso, publicitário.

 

Meu irmão Nelson me enviou esse texto. Achei pertinente.



Escrito por pepe mattos às 16h58
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"O homem revoltado"

 

“... Desejamos que o amor dure e sabemos que ele não dura: se até mesmo, por milagre, ele tivesse que durar toda uma vida, estaria incompleto. Talvez, nesta insaciável necessidade de durar, compreenderíamos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que as grandes almas, às vezes, ficam menos apavoradas com o sofrimento do que com o fato de ele não durar. Na falta de uma felicidade inesgotável, um longo sofrimento constituiria ao menos um destino. Mas não é assim, e nossas piores torturas um dia chegarão ao fim. Certa manhã, após tanto desespero, uma irreprimível vontade de viver vai nos anunciar que tudo acabou e que o sofrimento não tem mais sentido que a felicidade.

                O desejo de posse não é mais que uma outra forma do desejo de durar; é ele que constitui o delírio impotente do amor. Nenhum ser, nem mesmo o mais amado, e que nos ama com maior paixão, jamais fica em nosso poder. Na terra cruel em que os amantes às vezes morrem separados e nascem sempre divididos, a posse total de um ser, a comunhão absoluta por toda uma vida é uma exigência impossível. O desejo de posse é a tal ponto insaciável que ele pode sobreviver ao próprio amor. Amar, então, é esterilizar a pessoa amada. O vergonhoso sofrimento do amante, a partir de agora solitário, não é tanto de não ser mais amado, mas de saber que o outro pode e deve amar ainda. Em última instância, todo homem devorado pelo desejo alucinado de durar e de possuir deseja aos seres que amou a esterilidade ou a morte.”

(Albert Camus, O homem revoltado (1951), in Romance e Revolta, Parte IV Revolta e arte, Ed. Record, 5ª ed. 2003)

 

Este trecho de O Homem Revoltado, de Camus, me fez ver com outros olhos muita coisa. E uma delas é que as coisas, as pessoas, o mundo, não podem ser do jeito que nós queremos. Foi um momento ímpar em minha vida. Um relacionamento de 14 anos indo pelo ralo e muita coisa por dizer, mas que em nenhum momento me senti disposto a dizer ou fazer qualquer coisa. Poderia dizer que eu não tinha condições, mas é uma insensatez, assim como é uma insensatez voltar a tocar nesse assunto. Mas, ele me veio à baila, quando soube que uma conhecida de minha filha passa por uma situação parecida. Contudo, é salutar adiantar que cada caso é um caso e a gente achar que já sabe tudo por termos passado por uma situação similar, não passa de uma grande incoerência.

No meu caso, essas linhas de Camus caíram como uma luva, mas longe de mim achar que só porque isso me deu uma luz naquele momento crucial quer dizer que vai resolver o problema de cada um. Nem pensar.

A coisa toda tomou uma direção totalmente insólita mais porque eu jamais esperava que num livro criticando os crimes cometidos tanto pelo autoritarismo, como pelo seu antípoda, a revolução, qualquer revolução, eu fosse encontrar palavras sinceras – um pouco duras, mas que dor não dói mais do que a dor de se fazer de conta que não se é culpado por algo? – e que puseram meus pés no chão, no tocante a mim mesmo e àquilo que eu estava cometendo com pessoas que eu dizia que amava.

Não tenho certeza de quantas vezes eu li esse trecho, mas lembro que em cada leitura as palavras como que saíam do papel e se entranhavam em cada parte de mim, e essa viagem insólita das palavras foi que ampliou a minha visão do mundo.

Claro que é uma coisa totalmente pessoal. Muitos preferem se entupir de livros de auto-ajuda e com aquelas palavras-padrão, típicas de todo alfarrábio do gênero. Não é o meu caso.

Destarte o que procuro ratificar aqui é a importância que certos textos têm em nossas vidas. Camus num curto texto disse tudo o que eu não quis ouvir da boca de ninguém. E mais uma vez ressalto a felicidade, quase que incontida, de encontrar essa passagem numa obra da qual não esperava mais do que um apaixonado ensaio sobre a violência, essa excrescência demasiadamente humana.



Escrito por pepe mattos às 11h33
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Fim sem começo

 

“Li em algum lugar ou alguém disse que ‘o tempo tem resposta pra tudo’”... Era um adeus simulado, desses que não se quer dizer ou se quer sim dizer mas não que fosse desse jeito... “E você não está triste?”... “Bem, não sei como responder porque, na verdade, nem chegamos a começar esse, esse, sei lá, esse caso...”... “É verdade...”.... Ela remexia a estante de Poesia... “Você que é poeta, já leu esse?”... “Bem, cê sabe que esse negócio de poeta é meio complicado porque eu entendo isso como um meio de ganhar a vida e, no meu caso, não ganho nada além de um ou outro olhar compadecido de conhecidos e outros nem tanto”... “Não seja modesto. Li suas poesias em alguns sites e no seu blog e acho quase todas muito, como diria, lindas mesmo”... “Bem, obrigado. Algumas gosto muito. Olha, tenho que ir”... “É, eu também. Está ficando tarde”... “Sabemos que é um adeus e...”... “Não precisava dizer isso. Já que não houve um início, não tinha razão de ter um fim, né mesmo?”... “Tá vendo? E você ainda diz que o poeta sou eu...”... “Não disse nada demais, só o que eu acho disso tudo”...”E o que você acha que poeta faz? Escreve o que acha de determinada coisa! Simples...”... “Você parece simplificar tudo!”... “Acho que não vale a pena complicar mais nada. A vida já anda tão complicada”... O atendente, sem ser solicitado, trouxe dois cafezinhos... “Obrigado”, eles disseram... “Olha, imaginei muita coisa na minha vida, mas jamais passou pela minha cabeça que terminaria um caso numa livraria. Aliás, nunca tinha entrado aqui. Estava sempre com pressa”... “É, sempre tive vontade de entrar também, mas não achava tempo”... “Bom, agora de verdade, tenho que ir”... “Olha, apesar de tudo, foi bom”... “É, concordo com você”...”Vê se não vai usar isso num romance”... “Fique tranqüila, sou poeta. O máximo que faria seriam uns versos”... “Vou acreditar em você”... “Leve o livro que me mostrou”... “Alguma sugestão?”... “Fragmentos de um inventário”... “Por quê?”... “Lembra um epitáfio”...



Categoria: Conto
Escrito por pepe mattos às 10h24
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Sabe aquela vontade de não ligar mais a televisão? De ir para um lugar onde nenhuma notícia dos nossos políticos nos deixassem enojados?

Mas, o que são os políticos a não ser a aberração por nós perpetrada? Mas, ao mesmo tempo, por onde quer que olhemos a Política não é esse bicho de sete cabeças. O que a torna lastimável é essa leva de celerados, que mal sabem ler ou escrever, e que é por nós alçada à olímpica categoria de... nossos representantes e que em vez de trabalharem pela construção de um novo país, com leis modernas e em total acordo com as transformações de nosso mundo, olha só o que eles estão fazendo com nosso dinheiro, nossa representatividade enquanto cidadãos e, principalmente, com o nosso país.  

É denúncia em cima de denúncia... Esse é o papel da imprensa responsável, coisa que por aqui não existe... Aliás, a daqui é uma coisa mesmo... Os caras levam porrada direto e não se emendam... Enquanto a mídia nacional está batendo direto no Sarney, a daqui - ainda bem que ninguém de fora lê essa excrescência - haja falar bem, apregoando em alto e bom som as suas vicissitudes, a honra que o povo amapaense sente pelo seu representante-mor e coisa e tal... É triste, mas verdadeiro...

Contudo, além dessa mídia vendida, existem os blogueiros, uma galera afinada que não se prende a notícias plantadas nos órgãos extra-oficiais de informação... Meio que na surdina, mas inteiramente interligados, prometem se organizar numa rede de ação, visando uma aproximação maior e muita, mas muita interatividade... É esperar pra ver...

 



Escrito por pepe mattos às 22h50
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Primeira Noite Fora do Eixo em Macapá

Por Karen Pimenta- palafita comunicação


Depois de sexta e sábado (12 e 13), ninguém mais vai poder reclamar de gripe na Terra do Nunca, afinal todos terão uma injeção de vitamina C. Após uma série de apresentações nas terras de seu Barack Obama, a banda paraense Vinil Laranja vai curar até gripe suína em Macapá City. Depois de se apresentarem no festival South By Southwest (SXSW), em Austin, Texas, a banda volta esquentando a “Noite Fora-do-Eixo” em Macapá, evento realizado pelo Coletivo Palafita.

A programação iniciará às 19 h, na Sede dos Escoteiros, localizada no bairro do Trem. Os ingressos custarão R$ 6. Além da Vinil, o primeiro dia da Noite Fora-do-Eixo, contará com as apresentações das bandas Godzilla, que recentemente lançou seu primeiro EP homônimo (em breve disponível para download), contendo cinco músicas; Stereovitrola (www.myspace.com/stereovitrola), que está produzindo seu segundo CD e a recente banda Fax Modem.

No segundo dia, será a vez das apresentações do cantor Roni Moraes, SPS 12 que está divulgando seu mais novo videoclipe “Recomeço”, a banda de death thrash, Marttyrium e Vinil Laranja que fará uma segunda apresentação, para fechar a noite.

Andro Baudelaire (voz, guitarra), Saul Smith (guitarra), Bruno Folha (baixo) e André Thor Moicano (bateria), vão provar e honrar seu título de banda “mais sensual de Belém”. Antes de tocar no SXSW a Vinil se apresentou no Grito Rock Cuiabá, divulgando seu primeiro CD “Unfaceless bride”, lançado em 2008, pelo selo independente “Na Records” e por onde passa, conquista mais público e críticas, com sua performance rock and roll, irreverente e carismática.


--
Coletivo Palafita – Comunicação

Equipe:
Igor Reales; Jenifer Nunes; Karen Pimenta; Ricardo Almeida;
Ronaldo Filho; Sandra Borges

 

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Recebi esse email do Coletivo Palafita e replico para meus contatos...

Taí uma boa oportunidade de conferir bandas de outras paragens... Belém tem uma cena rock agitadíssima e não é de hoje... Stress, Mosaico de Ravena, Violeta Púrpura, Delinquentes, Insolência Pública, Madame Sataan, La Pupuña, Suzana Flag, Cravo Carbono... Se eu esqueci de alguma não foi intencional, apenas um lapso, ok...



Escrito por pepe mattos às 02h14
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Encontro dos Blogueiros Amapaenses

Compareci ao Encontro de Blogueiros realizado no Bar e Restaurante Norte das Águas, no último sábado.

Começo de noite quando cheguei e o pessoal já mostrava um bom entrosamento. A mesa completamente tomada por garrafas de... H20... E pra não fugir do cardápio, pedi mais uma H20, rsrs... Outros tempos... Se fosse algum tempo atrás já chegaria turbinado, como se diz... A música, em volume que não perturbava o papo, deu sua contribuição a tão efusivo momento de descontração da galera afinada que se desdobra em manter atualizado seus diários virtuais, em meio às mil tarefas que lhe são peculiares e a despeito do acesso a internet do tempo da pedra lascada, ou discada...

Quando cheguei, se bem me lembro, já se encontravam a Alcilene, a Dulcivânia, a Alcinéia, a Luciana, o Ivan Carlo, a Zany e o Ernâni, que se encontra visitando a terrinha... Alguns estavam acompanhados de seus cônjuges, outros não...Na oportunidade a Alcilene foi alçada ao posto de articuladora do movimento (e da possível Confraria dos Blogueiros, que ela citou quando nos despedíamos) e patrona oficial da blogueirada tucuju... Quer dizer, não oficialmente, mas por fato e direito é mais do que dela esse honroso posto...

Dentre os que com quem mais eu conversei, destacam-se a Alcilene, a Dulcivânia e o Ernâni... A Kiara chegou um pouco depois e antes de eu me despedir ainda participei de uma saborosa salada de reminiscências da Macapá antiga entre o Ernâni e a Kiara, onde eu mais escutava do que falava...Também o Neyzinho Pantaleão, a quem eu não conhecia, como a maioria dos presentes, sentado ao lado de sua jovem esposa, participava do fortuito bate-papo entre os mais próximos... Tive oportunidade de conhecer e trocar breves palavras com o Herverson, de Santana... Segundo Alcilene o mesmo está naquela fase efervescente onde a busca dos ideais é mais que importante para alguém poder se situar no mundo...

Ainda deu tempo de conhecer a Luciana que estava noutra cabeceira da mesa, próximo do Ivan Carlo e de sua esposa... Embora no final, no apagar das luzes, nos cumprimentamos e explicitamos nosso respeito e admiração entre ambos... Ainda conheci o Volney Oliveira, jornalista, através da Alcinéia...

Dali eu só conhecia mesmo a Alcilene e sua irmã, Alcinéia... Alcilene não lembrava de mim que fui seu colega na primeira turma de Letras, da UNIFAp, no longíquo 1991/1995... Eu lembrava um pouco, até porque eu não era muito conhecido e ficava mais na minha turma do paredão...

Porém, foi enriquecedor conhecer a juventude inteligente que desbrava o território do mundo virtual com suas histórias, esperanças e percepções do mundo em que se vive, com muita gana de mudar o que for possível mudar, dentro ou fora de cada um; com ideologias ou sem elas, mas com fé e atitude em tudo que se faz...

A conexão como axioma do novo milênio...

Desde o panfletário até o mais conservador; do mais simples ao mais sofisticado; do mais espirituoso ao mais niilista; do mais nonsense ao mais equilibrado; do mais informativo ao mais escrachante, um blog é sempre um lugar de se deixar fluir o espírito dos novos tempos... Tempos esses onde prevalece a necessidade de se estar informado... Ou simplesmente, conectado...

 

E é aí que mora o perigo... Os homens do Poder já vislumbraram isso e coitados de nós amapaenses, que além de termos um rio-mar que nos impossibilita um acesso normal à rede mundial, ainda temos o despreparo, a desvontade e a eterna aptidão para província que povoa a cabeça desses nossos representantes e administradores das coisas públicas...

Contudo, indiferente a esses que estão aí, a comunidade blogueira das terras tucujus não manda dizer: vai lá e diz mesmo, ainda que os órgãos oficiais de comunicação (se dizem jornais, rádios e tvs vendidas) anunciam o mais perfeito entrosamento entre todos os podres poderes e as entidades de classes apeadas a eles apregoam que o Amapá é o paraíso na Terra... De certa forma o é, mais por obra da natureza e dos cidadãos e menos por vontade e realizações de nosso representantes...

Dessa festiva e, por que não dizer, importante reunião ficou explícita a justificativa (não citada) de todos em manter um blog... Todos querem dizer alguma coisa e certamente a internet é esse canal, já que os meios de comunicação se acham chafurdados na lama do clientelismo e das notícias plantadas... A esses fica o aviso de que a internet tem o poder do não esquecimento, frase que me levou a refletir muito esse final de semana, tirada duma reportagem da Época, edição 574, da semana passada, que fazia menção a uma personagem chamada Felina que andou bagunçando, no pior sentido, a vida de artistas de atletas, como Alexandre Pato e Ronaldo Fenômeno, além do músico Di Ferrero e do ator Rafael Calomeni, dentre outros.

Blogueiros, estamos de parabéns e plugados no nosso tempo...

P.S.: Não levei máquina, por isso não há fotos...



Escrito por pepe mattos às 04h16
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Noite

 

 

Eu que me vira

em sonhos

dormitando sobre a relva

na tarde que se fechava

para a noite.

 

O sonho foi embora

como borboleta

que se desfaz

do casulo.

 

A noite me acolheu

com o lume

que d

        e

         s

          c

           i

            a

               das estrelas.



Categoria: Poesias
Escrito por pepe mattos às 04h09
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Músicas para acompanhar enquanto escrevo...

Ambient 1 -Music for airport (1977) - Brian Eno

Metallica (1991) - Metallica

Critical Mass  (2005) - Dave Holland Quintet

Kicking Television (Live in Chicago) (2005) Duplo - Wilco

Hot & Slow - The Best Of Ballads (1991) - Scorpions

Segundo (2005) - Maria Rita



Categoria: O que ouvi recentemente
Escrito por pepe mattos às 17h33
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Outro dia me indagava sobre a utilidade desse meu posicionamento contra as forças políticas reinantes nesse nosso Amapá. Sob nenhuma hipótese quero dizer que estou me bandeando de mala e cuia pro lado desses zebedeus. Não é isso...

Já está mais do que acertado (sabe-se lá como fizeram isso, mas fizeram) entre todas as partes que o grupo político que manda e desmanda no Estado tem cacife (ou acha que tem) para mais uns 20 anos no poder. É tempo suficiente pro Amapá virar resíduo de minério ou cavaco de madeira. O ruim disso é que têm ambos a não muito honrosa função de: aquele, para decorar peças de artesanato, e, este, combustível de grandes fornos mundo afora.

O Amapá merecia coisa melhor. Mas pelo andar da sucupirana carruagem, garbosamente levada por uma manada de quadrúpedes que se multiplica ano após ano, passaremos para a História do mesmo modo como somos atualmente para a Geografia: um pedaço de terra pra lá do Arquipélago do Marajó, aquém ou tão distante quanto Marte, segundo aquele infeliz comentarista de carnaval.

Ao folhear um livro de História do Brasil, um estudante mesmo no Norte saberá que o Amapá é cortado pela Linha do Equador e é a única capital brasileira banhada pelo Rio Amazonas. É possuidor de uma população aguerrida e trabalhadora e que cresceu vertiginosamente nos idos dos anos 80. Personalidades de destaque: pioneiros, empresários, artistas de grande sucesso local e até nacional. Além de suas exuberantes belezas naturais e a própria história de seu desenvolvimento enquanto parte integrante da nação...

Já de políticos e administradores nos anos 2000 não terá muito o que encontrar que tenha relevância positiva. Bastará fazer uma busca no Google: operações federais no Amapá. Estarão todos ali, juntinhos, prontos para consumo imediato. Este é o legado que estes que estão aí deixarão para a posteridade. E mesmo que não se queira falar mal dessas tristes figuras, a coisa toda já é em si desabonadora. Fruto duma vergonhosa associação, pejorativamente anunciada como parceria, mas que todos sabem ter outro nome, tão viscoso quanto um espirro de gripe pandêmica: Harmonia.

Fazer de cada palavra uma arma não é função do artista, bem o sei – até porque não me julgo um artista.

Mas o que dizer quando um ser humano não consegue se revoltar ou não tem o poder de se manifestar contra esse estado de coisas no qual esse mesmo cidadão é cooptado por aquele que ganha das mãos de todos os cidadãos o direito de legislar em favor da comunidade a que serve. Ou em outros casos, é enganado, vilipendiado, ultrajado, como no caso infeliz do infeliz vereador que assumiu sua homofobia doentia em público, e pasmem, num plenário de uma câmara de vereadores, lugar onde se espera que se debatam os grandes questionamentos que interessam à população. E, pasmem mais, o dito cujo é professor. Sabe-se lá o que ele tem aprontado esses anos todos com os alunos que sentaram à sua frente.

Mas, falar, às vezes, soa como se jogássemos pedras no vazio. Falar, muitas vezes, é jogar conversa fora. Neste caso principalmente, já que imagina-se que nenhuma medida punitiva vai ser tomada tanto contra o não tão nobre parlamentar quanto aos que estão aí. Sabe aquele verso do grande Quintana, "Todos estes que aí estão/atravancando meu caminho/Eles passarão/Eu passarinho"? Pois é...

Gostaria que esse "Eu" fosse o Amapá e em certa medida é mesmo. Porque o Amapá é maior do que todos eles juntos. O Amapá, eu sei, é feito de gente de verdade.

Passamos, mesmo contra a nossa vontade, a imagem negativa de sermos hóspedes de paraquedistas doutos na arte de enganar o povo, ludibriar o poder, arregimentar outros tão torpes e tornar o povo massa de fácil manobra, capaz de eleger infinitamente os seus asseclas, com o fim último de parar a história do lugar e dar ares de província ao que tinha tudo pra ser uma terra de luta e respeito, justiça e paz, desenvolvimento em consonância com o meio-ambiente, união de todos pelo progresso do Estado, terra de oportunidades para todos.

Por trás dessa triste imagem há pessoas simples que querem e fazem o melhor pelo seu querido Amapá, em tudo que é atividade. São essas pessoas que precisavam ganhar mais visibilidade para poderem mostrar o que realmente é o amapaense: gente de fibra, que sente a porrada, mas não deixa o juiz terminar a contagem e parte pro revide; gente que constrói o positivo entre tantos fatos negativos; gente que mesmo no anonimato constrói na manhã amazônida os alicerces do futuro que está logo aí; gente que pega um teclado, um monitor e bota pra ferver num blog, mesmo que os sites das "verdades jornalísticas" mascarem a realidade... Enfim, gente de verdade e que ama e faz pelo Amapá...

Nomes? Bem, acho que uma navegada rápida, mas criteriosa na Internet dá a resposta. Uma lida nos blogs amapaenses dá a dimensão do que a imprensa local deixa de publicar. E o desastre que isso provoca num lugar meio que distante demais das capitais. Já deu pra perceber que essa turma que está no poder nos últimos tempos não tem interesse de oferecer uma qualidade de vida que a população tanto merece. E o pior disso tudo é que já há acordos fechados para se manterem no Poder por pelo menos uns 20 anos...

 

 

Que minhas palavras tortas sejam nada mais que um arrebatamento de um cidadão cada vez mais descrente no desenvolvimento da terra em que vive. Contudo, os obstáculos causados por esse estado de coisas não me detém. E isso significa fazer um pouco para que o futuro nos traga melhores dias. Dentro das possibilidades é o que faço. Sei que é pouco, mas faço. Só que do meu jeito.

Viver em desacordo constante pode não ter suas virtudes, mas me deixa numa situação confortável, pois sei que aqueles poucos que visitam esse blog – do contra, vá lá – sabem que não me posiciono contra o Estado do Amapá, mas sim contra esse estado de coisas (e põe coisas nisso!) que somos obrigados a vivenciar por cá.

 



Escrito por pepe mattos às 16h57
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Recebi do Paulo Tarso:

Aos amigos escritores, artistas  e amigos das letras peço que ajudem o nosso colega.
 
 

http://www.escritoresap.blogspot.com

ASSOCIAÇÃO AMAPAENSE DE ESCRITORES

Fundada em 1º de junho de 1989 -  C.G.C.(MF): 01.263.080/0001-30
Registrada como personalidade jurídica sob nº. de ordem 0937, Livro A-06 - Cartório Jucá de Macapá.
Entidade de Utilidade Pública Municipal Lei nº. 821/96-PMM * De Utilidade Pública Estadual Lei 353/96


 

 

 

Estamos recorrendo aos amigos no sentido de ajudarmos o nosso confrade Binga Monteiro que está passando por uma situação muito difícil, pois foi acometido de duas graves enfermidades: artrite reumatóide e tuberculose – e outras, muito mais graves: a solidão, o isolamento, o abandono. Depois de cuidar de sua mãe, que veio a falecer de tuberculose em 2008, ele também foi contaminado. Semana passada Binga  enviou uma carta ao jornalista Paulo Ronaldo, seu amigo, que me pediu que o ajudasse a mobilizar as pessoas para que possamos ajudá-lo neste momento.

Binga Monteiro (Benedito Monteiro Pereira) nasceu em Macapá no dia 22 de maio de 1950. Publicou um livro de poemas, em edição artesanal (miolo datilografado): Ninho de Alvoradas (1967).

Ele reside na Av. Perobal, 474 (após a escola infantil Centro de Ensino Lira), bairro Brasil Novo. Fone: 9123 7262.

......................

Se você quiser ajudar, pode se dirigir até o endereço do Binga ou procurar  o jornalista Paulo Ronaldo no Jornal A Gazeta (Rua Hildemar Maia, 3640 –Buritizal -  Fones: 8127 9005 e 9126 1163.

Pode procurar também a Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda (Ricardo Pontes e Paulo Tarso Barros – Fones: 3212 6119 – 9129 9867 e 9112 9943)

 

 

 

 

 


 

E-mail transmitido por Paulo Tarso Barros



Escrito por pepe mattos às 21h52
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Pelos blogs...

Alcinéia postou sobre um Robin Hood da Baixada Santista que roubou um caminhão frigorífico e deixou que os moradores de uma favela se esbaldassem com a preciosa carga. Há também um post sobre uma tal de “revitalização” das paradas de ônibus de Macapá pela EMTU, municípios sem energia elétrica e o lançamento de mais um livro do Ricardo Pontes. E uma enquete sobre pra onde mandaríamos certos políticos se pudéssemos colocá-los em um avião.

Neste último item a cadeia ta ganhando disparado.

Na verdade, penso que poderíamos simplesmente dar 2 anos pra que um político realizasse pelo menos 50% de suas promessas. Caso contrário, seu suplente ocuparia seu lugar e teria mais 2 anos para dar corpo aos seus 50%. Caso os dois não cumprissem o estipulado, ficariam sem se candidatar por 10 anos. Algo simples assim. Prisão acho meio impossível, já que eles se cercam dos melhores advogados e ainda contam com o corporativismo de seus pares pra se safar.

Nossa, alguém se lembrou que Macapá tem passageiros de ônibus. Já ônibus, isso está difícil. Só temos sucata. A EMTU e os empresários dos transportes públicos têm muita sorte. Somos muito acomodados com essas latarias ambulantes. Anos e anos sofremos nas paradas de ônibus e agora alguém se lembra de que elas existem. Enquanto a Alcinéia tem esperanças, eu desconfio. Conheço essas promessas, a começar pelas do chefe do chefe da EMTU...

Rapaz, não é que me esqueci do lançamento do livro do Ricardo! Esqueci até de deixar agendado no Yahoo! Pisei na bola... Vou ver se consigo com o autor um exemplar. Na oportunidade pretendo retribuir com a tal coletânea da qual participei...

Sobre o Robin Hood... Vejo com tristeza a escalada da violência aqui e Brasil afora... Agora mesmo no Jornal Nacional imagens de dois assassinatos brutais flagrados pelas câmeras dos circuitos internos. Triste mesmo!

Até hoje não entendo como os municípios amapaenses ainda sobrevivem. Quase nenhum recurso próprio, uma folha de pagamento geralmente inchada com os inevitáveis cargos de confiança e ainda sustentam uma Câmara de Vereadores, fora o que vai pro caixa 2. Ainda um ou outro enfrenta desastres naturais. Tudo isso e ainda vem mais essa de ficarem sem energia elétrica. Coitada da população. Pra piorar, ainda tem o atenuante de que muitos filhos desses lugares quando enriquecem simplesmente o abandonam, deixando esses rincões entregues à sua própria sorte. Eu, hein?...



Escrito por pepe mattos às 23h02
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Da minha cdteca...

        

 

 



Categoria: O que ouvi recentemente
Escrito por pepe mattos às 22h07
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Epitáfio

 

Choro feito de plumas

que caem em vez de subir.

 

O que é feito do choro,

senão adubo de chão morto?

 

O amor também está morto

se já nasce fenecido,

imaterial, que nem se vê.

 

Se diz que se sente e é só.

 

E buscam palavras

que o expressem,

e fazem versos

que o encaixem.

 

No caixão do amor

não há flores,

nem plumas feito lágrimas:

 

um pedaço de papel

que os vermes ignoram.

 

11/06/97



Categoria: Poesias
Escrito por pepe mattos às 22h02
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Terra de ninguém, céu sem limites

 

 

 

Que a Internet é uma terra de ninguém, todos já sabem, mas que um dia algo poderá atingir as pessoas diretamente vindo desse território livre, isso ninguém sequer cogita ou leva a sério. Bom, até o momento não aconteceu nada comigo vindo desse lado. Mas se nos perguntarmos se vale a pena dar crédito a tudo que nos chega via Internet – e no particular, via email – vamos nos encontrar numa espécie de sinuca de bico ou como se estivéssemos perdidos em um labirinto. Ou, como é mais comum, não dar a mínima, ler e passar adiante, sem maiores conseqüências.

Como tenho lido muito sobre o fim dos jornais (e conseqüentemente, de quase toda a mídia escrita) não tenho muito como pedir a conhecidos meus que esqueçam um pouco o teclado e o monitor e peguem um jornal, uma revista ou um livro sobre algum assunto da atualidade e se ponham a par dos assuntos que interessam para quem lida diariamente com o texto escrito. E olha que isso engloba uma infinidade de ocupações e profissões que vão do simples atendente de balcão até o executivo de uma grande empresa ou de um alto funcionário do serviço público. Portanto, são pessoas que não podem descuidar de atividades que exigem a leitura como um meio de se manterem atualizadas para poderem desenvolver suas tarefas enquanto profissionais. Mas a cada dia percebo que o abismo que separa a aquisição do conhecimento, tal qual a conhecíamos, e a sua utilização no dia a dia, seja no ambiente do trabalho ou em casa, com familiares, vizinhos e amigos, só vai se ampliando a tal ponto que num futuro próximo esse será um meio alternativo para se conhecer o mundo daqui para a frente, haja vista que essas formas de aquisição vão passando por sérias modificações. Neste assunto tenho de admitir que voltei a comprar jornais: um domingo compro o Liberal e outro o Diário do Pará e um ou outro tablóide local (também queria comprar uma Folha de São Paulo ou o Estadão, o Globo ou o JB, só que é impossível achar do dia, só do seguinte, e olhe lá, quando se acha). Com a Internet discada não dá pra ler jornal na net, além do quê não gosto de ficar muito tempo à frente de um monitor.

E um dos assuntos que poderiam prender a atenção das pessoas é o que andamos fazendo enquanto navegamos na net. Tudo bem, ninguém tem a obrigação de fazer aquilo que eu acho que se deve fazer, mas quando me deparo com a quantidade de emails que são trocados na Internet e dizem respeito às lendas urbanas e a difamação pura e simples de personalidades da política e do entretenimento e em número menor dos esportes fico conjeturando sobre essa nossa atitude enquanto passageiros desse meio de transporte virtual.

Recebi estes dias um email com a ficha da ministra Dilma Rousseff como militante de organizações terroristas e, de quebra, ainda tira sarro com a cirurgia plástica que ela fez recentemente.

Dois cuidados, no mínimo, não foram tomados quando do envio deste email, cujo título é “Currículo invejável – repassando” (além de falar mal de alguém e também porque pediu, não repasso). O primeiro diz respeito quanto à verificação da autenticidade do teor do que foi repassado. Mas o argumento, para a maioria das pessoas, é simples: “Pra quê checar se é falso ou verdadeiro? O importante é entrar na onda e c’est fini!” Eu disse para a maioria das pessoas, que fique bem claro. Sei que não é o caso de muita gente que eu conheço. Aliás, muitos já fazem que nem eu: já nem abrem os powerpoints e nem passam adiante ou retornam aqueles execráveis “Quero de volta!”. Sei que corro o risco de me excluírem de suas listas de contato, mas, sinceramente, não dá pra ir repassando tudo o que me mandam. Isso me lembra uma reportagem numa edição da Revista Época sobre as lendas urbanas. Entre tantas a revista cita as que citam dedos humanos que aparecem em hambúrgueres e baratas encontradas nas garrafas de refrigerantes, além de outra que diz respeito à morte do pai da modelo Daniela Sarahyba que, segundo uma dessas lendas, teria morrido ao beber refrigerante encostando a boca na latinha. Na verdade, como se soube mais tarde, ele contraiu leptospirose ao expor uma ferida do pé a água contaminada. Também há aquela em que um simples celular pode explodir um posto de gasolina. Outra em que um filme onde Jesus Cristo aparece como homossexual já recebeu milhões de assinaturas (isso circula desde 1985 e ninguém nunca viu o tal filme) e ainda outro em que o site Domínio Público corre risco de ser fechado por falta de acessos. Tudo falso!

O segundo ponto tem a ver (já vi muita gente boa usando o haver erradamente no lugar do a ver) com a gratuidade em se ofender alguém sem ao menos se dar chance a um tipo de defesa. Lula não é unanimidade e jamais o será. Seu governo tem muitos erros, mas acho mais errado se tentar atingi-lo com acusações contra ele e os seus ministros desta forma. E o pior, aproveitando-se de um recente upgrade estético o autor do email faz referência jocosa à ministra Dilma. Imagine a situação pela qual a ministra tem passado nos últimos dias com o aparecimento de um linfoma abaixo de sua axila esquerda. Agora, some-se a isso a execração de sua imagem através de mensagens falsas circulando na web. Entende-se que ela é uma pessoa pública e que por ser a virtual candidata do Presidente Lula à sua sucessão com certeza desagradou a uma turma de descontentes e desencadeou essa onda de difamação à sua pessoa. Não há o mínimo respeito nem com a dignidade, nem com a atual situação superdelicada pela qual está passando. Não sabem o drama que é se descobrir com um câncer ou outra doença tão grave quanto. Achei o cúmulo do absurdo tal email. Repassei para o Ernani Motta, blogueiro cabeça que mora no Rio e que postou um texto em seu blog sobre o descuido da Folha de São Paulo ter originado toda essa celeuma desnecessária. No caso, o jornal paulista, um dos maiores do país, se retratou, embora com restrições. Já de quem fez circular o tal email, não se espera muita coisa. Entra naqueles tantos que não estão nem aí pro que recebem e enviam aleatoriamente em emails. Para estes, a Internet é um céu sem limites.

 

 

 



Escrito por pepe mattos às 17h37
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