A sombra sobre o rio

"Sem avisar nada, ela chegou. E se dizia maior que 'aquele rio de nada em frente à cidade'.

Ela se dizia.

O povo simples da comunidade e de outras mais distantes acorreu à capital assim que soube de sua chegada.

O povo acorreu.

Trazia, em vez de esperança, uma inexplicável subserviência, sem perceber que essa condição era um mergulho no vazio.

Esperança no vazio.

Os Arautos dessa subserviência conclamavam o povo a se prostrar às palavras da Sombra e eles mesmos se curvavam ante sua presença.

Eles se curvavam.

O povo angustiado pela falta do mais básico dos direitos do Homem acreditou nos arautos que serviam à Sombra.

O povo acreditou.

E proclamou todos os escolhidos pela Sombra como seus novos e sempiternos senhores.

Eles proclamaram.

Então, o Rio entristecido pela aridez das idéias dos Proclamados secou e um deserto dominou a paisagem pelo mesmo tempo que durou a permanência da Sombra.

O rio secou..."