Tanto quanto um abrir de janelas...
Tanto quanto um abrir de janelas
em meio à tempestade
Eriçar os pelos dos sonhos natimortos...
Estes, inda que não lhes reste um pouco de luz,
em tudo estão vivos;
porque resplandece sempre um átimo daquilo
que sei ser vida.
E...
Por entre devaneios que me chegam
feito sonhos entrelaçados, um pedido:
que não se faça silêncio enquanto
grassam as mentiras tidas como verdades!
Porque silêncio bom é quando vem no rastro
dos passos perdidos do Poeta
na direção do Ocaso.
Mesmo que não exista mais trapiche,
mesmo que dêem por esquecido um bonde solitário
por sobre os trilhos enferrujados, sempre haverá viajantes...
E ir e chegar são direitos inalienáveis...
Onde o sol descansa, lá descansa meus olhos...
Onde a música pára, ali minha lida tem morada...
Mas, meio que apressado para não perder o último ônibus,
me despeço...
Nenhum aceno, nenhum som de voz entrecortado...
Só este olhar e um pedido mudo de coragem...
Poesia, brada teu grito forte!
24/09/08
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