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Blog do Pepê Mattos
 


 
 

Seis e Meia

 

Seis e meia da noite
e a cidade é escurecida
pelo constante movimento
do planeta.

Nos postes espalhados nas calçadas
as primeiras lâmpadas
ensaiam sua coreografia
milimetricamente dormente.

O visgo da noite
engolfa com extrema similitude
o semblante ameno
dos transeuntes mais desavisados.

Ou ninguém percebeu
a vitória incontinenti da noite
ou o voraz e ilimitado frescor do sereno
já faz parte do nosso vestuário noturno.

 



Categoria: Poesias
Escrito por pepe mattos às 03h15
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Escrito por pepe mattos às 02h59
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Novo Ano, Ano Novo...

O ano começa envolto numa atmosfera de incertezas que pendem sobre nossas cabeças...

As mais urgentes dizem respeito a nós, como seres humanos (ir) responsáveis pela manutenção da vida no planeta... Todas as projeções feitas pelos maiores especialistas em meio-ambiente apontavam para o descaso que as grandes potências dispensam a esse assunto que deveria, na minha opinião, fazer parte dos currículos escolares desde as primeiras séries até um curso superior... Há divergências sobre se o que ocorreu com Santa Catarina (e pelo visto, ainda está acontecendo) tenha sido causado por esse descuido do ser humano ou se foi obra das chuvas que todo ano caem por ali... De qualquer forma, há que se pensar numa maneira de se evitar o pior e pelo menos minimizar o sofrimento dos catarinenses...

Outro problema que irá nos acompanhar o ano todo (pelo menos é o que os entendidos repetem ad nauseam) diz respeito à economia... Por conta disso, a Época (que continua chegando em casa, já que parece foi contornado o problema de saldo em minha conta, rsrs) dessa semana traz na matéria de capa uma certa preocupação em se conter o consumo desenfreado... Continuo naquela de cancelar essa assinatura já que minhas filhas abandonaram de vez a leitura de qualquer publicação que cheire a informação... Bem, mas por outro lado, voltei a lê-la de cabo a rabo e foi numa dessas leituras que encontrei a indicação do livro de Philip Roth, ao qual dediquei meu último post... E aí fica a sugestão para se viver melhor com menos... Talvez seja o que realmente se precisa nesse início de ano...

Não dá pra se fazer de surdo com a invasão de Israel na Faixa de Gaza... Ambos os lados acusam-se mutuamente de terem re-iniciado o combate franco... Ambos os lados estão sempre com a razão... Ambos os lados se fazem de vítimas... Aos civis resta apelarem para os seus deuses da Paz reabrirem o diálogo com os deuses da Guerra de ambos os lados... Esses parece sempre vencerem... Infelizmente...

Tem ainda a grande expectativa sobre o que fará Barack Obama a partir de 20 de janeiro... Tenho fortes esperanças de que ele seja o líder que todos estão esperando e que consiga governar os EUA, e no rastro, o Mundo, de forma que possamos viver melhor e em paz, mesmo com tudo parecendo conspirar contra ele... Torçamos, rezemos (quem é de rezar) e façamos nossa parte para que isso se torne realidade...

Porcá não tenho esperanças de grandes transformações na vida do amapaense... Mesmo com todo calhamaço de denúncias contra o candidato vencedor ele foi diplomado... Quem começa a nadar enfiado num mar de lama, dificilmente chegará no outro lado sem se sujar mais e mais nessa mesma lama...

...



Escrito por pepe mattos às 02h31
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Ainda lendo "O Fantasma Sai de Cena"...

...ainda lendo "Fantasma sai de cena"... O protagonista Nathan Zuckerman descreve sua surpresa com as pessoas e os celulares de uma forma tão dilacerante que leva-nos a nos perguntar se conseguiríamos viver algum dia sem eles e a resposta é que só nos resta duas opções: ou nos apegaríamos a toda nova invenção tecnológica como se com isso adquiriríssemos conhecimento e status ou abandonássemos esses trecos e voltássemos a sermos simples seres humanos sem a possibilidade de estarmos plugados a um mundo cada vez mais tecnológico e menos humanos... Provavelmente, optaríamos pela alternativa número 1...

"...O que acontecera nesses dez anos que agora havia tanto a dizer - e com tanta urgência que não dava para esperar? Aonde quer que eu fosse, sempre havia alguém caminhando em minha direção falando ao telefone e alguém atrás de mim falando ao telefone."... "Para mim, isso tinha o efeito de fazer com que as ruas se tornassem cômicas e as pessoas, ridículas. No entanto, havia também um lado trágico nisso. A anulação da experiência da separação teria inevitavelmente uma conseqüência radical. Qual seria ela? Você sabe que pode ter acesso à outra pessoa a qualquer momento, e se isso se torna impossível você fica impaciente - impaciente e zangado, como um deusinho idiota"...

"... Mesmo assim, era impossível me conter: eu não conseguia compreender como alguém podia imaginar que levava uma vida humana andando pela rua falando ao telefone metade do tempo que estava acordado. Não, essas engenhocas provavelmente não promoveriam a reflexão junto ao grande público."

...olhando as moças bonitas na rua...

"...as mulheres se vestiam agora, o decote habitual das camisetas, o modo como as roupas femininas eram desenhadas, e embora elas andassem com saias apertadas, shorts curtíssimos, sutiãs sedutores e os ventres de fora, dando a impressão de que estavam disponíveis, na verdade não estavam disponíveis coisa nenhuma - e não apenas para mim."

...pense, amigo machão, você chegando no ocaso da vida, enfrentando problemas de próstata, infecções intestinais, incontinência urinária levando a uma abstinência sexual forçada, presenciar um mundo moderno em que as coisas acontecem numa velocidade estonteante e vendo moiçolas estonteantes á frente e um desejo subir-lhe e não ser possível mais nada a não ser o próprio ato de se desejar...

Contudo, Roth é muito mais que isso... Sua descrição de encontros fictícios com Jamie Logan, a bela e inteligente esposa de Billy Logan - a quem Zuckerman propõe a troca de casas por um ano - beira a um tête a tête com pitadas de cantadas (dele) e de fina ironia (dela)...

Vou parar por aqui, pois não quero adiantar o final desse "drama intenso e pungente" que só ratifica o "incansável compromisso de Roth com a literatura", conforme se lê na orelha do livro...

Recomendo...

 



Categoria: O que estou lendo
Escrito por pepe mattos às 01h59
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