Diálogo com paredes

Um oceano de silêncio no quadro dependurado na parede devastando a saudade que ficou de coisas que não fiz. O vazio das palavras mumificando o coração semidesfigurado que repousa solenemente em cima de um divã destruído. Breve brisa esconde meu sorriso no espelho do corredor: imagem trêmula de uma lágrima rija, endurecida talvez pela certeza de tua ausência.
Categoria: Poesias
Escrito por pepe mattos às 02h45
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Glicerão, Ronaldo e Fred
Fazia um certo tempo que eu não me ligava tanto em futebol, como nos últimos dias. Aqui vão os parabéns um pouco atrasado aos botafoguenses campeões da Taça Guanabara. Mas, as mais relevantes foram, sem dúvida, a reportagem sobre a situação do futebol amapaense, exibida em rede nacional, pela Rede Globo, e as voltas de Ronaldo (me recuso em usar o “Ronaldinho”, coisa do Galvão Bueno) e a do Fred ao futebol brasileiro. Este último, hoje, já disse a que veio, enchendo de esperança os tricolores das Laranjeiras e do Brasilzão, eu, inclusive. Ainda hoje a tropa de choque deste governo tenta desqualificar a reportagem do Régis Rösing, dizendo que ele não respeitou as regras do bom jornalismo e coisa e tal. Em defesa do profissional de imprensa respeitado que o Régis é basta dizer que ele está fazendo um serviço ao futebol, principalmente do Norte do país, mostrando aos quatro cantos o que certos brasileiros andam fazendo com o esporte favorito do país, capaz de movimentar milhões, senão bilhões, de reais e que gera, muitos empregos Brasil afora. Eu que sou paraense me sinto envergonhado pelos três clubes do meu Pará de projeção nacional como Remo, Paissandu e Tuna Luso terem chegado onde estão hoje, fora das grandes competições nacionais. Outros estados do Norte e no Nordeste que sempre tiveram representantes nos principais campeonatos nacionais também estão na mesma ou pior situação. Clubes como Nacional, Rio Negro, Fast Club, no Amazonas, e Sampaio Correia e Moto Clube, no Maranhão, juntos com os três paraenses estão à beira da falência, isso se já não faliram ou já nem existem mais. Lembro que nos anos 70 esses times eram o terror para os chamados times grandes e jogar em seus apertados estádios era certeza de pelo menos uma partida muito bem disputada. É triste para um amante do futebol como eu, ver a realidade desses clubes do Norte. Qualquer certame em que times maranhenses e paraenses ou amazonenses e paraenses, quando não os três juntos, se enfrentassem podia-se esperar que teria casa cheia e um futebol disputadíssimo, digno dos melhores embates de clubes grandes. Aliás, até hoje, mesmo com seus times do coração afastados das séries A e B, os torcedores desses times lotam os estádios, hoje reformados e alguns deles até se transformaram em estádios olímpicos. Ou seja, mesmo que os clubes não tenham se adaptado às transformações exigidas pela CBF e quase que virado meras fotografias nos velhos álbuns de figurinhas, alguma coisa foi feita pelo poder público para se manter acesa a chama do futebol pentacampeão nos mais distantes rincões do país. Então, o que houve com os clubes? Segundo um grande amigo e compadre meu, o Flávio, foi a tal Lei Pelé ou Lei Zico que foi a culpada por terem deixado os clubes nessa situação. Ele completa dizendo que não se trata, na verdade, de ter culpa ou não, mas os clubes não tiveram estrutura pra se adaptar e muitos deles, já endividados e com pouca ou nenhuma receita, simplesmente enfiaram os pés pelas mãos e chegaram onde estão. Agora, culpar as federações estaduais acho que não é a saída. Penso que elas não têm receita própria e dependem de verbas federais e pouca coisa do governo estadual. Onde tem clubes grandes e consequentemente grandes jogos e estádios lotados há uma boa receita. Já onde isso não existe, imagine o que entra como ajuda financeira. A reportagem da Globo não se prendeu somente a mostrar como andam tratando nosso futebol aqui no Amapá, mas, como passou hoje, em todo o país, começando pelo Norte do país. A imprença local do jabá quase que coloca a culpa no Capi por ele ter trazido a Globo e essa ter desmascarado as mentiras deste Governo em que tudo é azul, tudo é lugar bonito, e estamos todos felizes com ele, tanto que o elegeremos para senador e quem ele apoiar será o próximo governador. Quanto a isso, não duvido muito (claro que eu não voto jamais nele, porém essa gentalha vai votar em peso), mas daí estarmos vivendo num mar de rosas a 6 anos, só mesmo na propaganda oficial. Quanto ao futebol local só posso concordar com todos aqueles que aqui residem e conhecem a fundo a história do futebol tucuju. Como torcedor do Remo (esse, então, há tempos não me dá uma alegria) lembro do Bira e do Marcelino, mas também do Aldo e do Tiago, estes dois últimos deram alegrias aos bicolores e cruzmaltinos marajoaras. Ou seja, o futebol amapaense também um dia já foi grande e os clubes de Belém ralavam pra ganhar dos daqui e muitas vezes foram derrotados tanto aqui como lá em Belém, além, é claro de ter sido uma espécie de celeiro de craques, principalmente para o futebol paraense. É mole? 
(Foto: Fonte Site Futebol do Norte)
Por isso fiquei muito p* da vida quando fui ao Glicério Marques ver o Cristal enfrentar o Brasiliense, pela Série C, do Campeonato Brasileiro. Não entendo como o único estádio macapaense ofereça cobertura em somente um décimo de sua área para acomodar os torcedores. Quer dizer que desde dantanho tem sido assim? Aquela área dá apenas para as autoridades e os profissionais de imprensa e uns poucos torcedores sortudos que chegam cedo e pegam as arquibancadas cobertas. Já os outros que se candidatem a ter torções no pescoço, nos tornozelos e nos calcanhares devido terem que se espichar pra ver do nível do solo as partidas de futebol, além de se exporem à toda sorte de intempéries climatológicas. Aí, os da imprença ficaram tiririca da vida porque isso saiu em cadeia nacional. Vai entender... Como já afirmei num comentário no blog Repiquete estou torcendo pro Cristal passar pra próxima fase e ter que enfrentar seus adversários em outro estado, já que o daqui não oferece condições. Nem vou conjeturar sobre o projeto para o Zerão que, dizem, o Governo já tem pronto. Nem vale a pena perder tempo com isso. 
Já a volta do Ronaldo foi algo assim de espetacular, fora de série. Ronaldo é um desses caras que se identificam com o brasileiro comum. Batalhador, farrista, capaz de se reinventar a cada dia, não se deixar abater com a queda e possui esse diferencial de ser a um só tempo celebridade e pessoa comum, num piscar de olhos ou clicar de uma máquina fotográfica. Não sou corintiano, nem torço por nenhum time de São Paulo, mas o jogo de estréia dele assisti enquanto navegava na web, mas a esperança era de que ele fizesse um gol, como acabou não acontecendo. Fiquei muito feliz, embora não acredite piamente que ele vai se recuperar totalmente a ponto de marcar presença na próxima copa do mundo. Contudo, vê-lo jogando em gramados brasileiros e dando alegrias à essa imensa torcida não só corintiana, mas acima de tudo amante do futebol arte, ou seja, essa imensa massa brasileira, foi sensacional. Por mais que ele não mantenha esse ritmo de um gol por partida, mas demonstrando ter capacidade pra se superar já é reconfortante. 
Já o Fred jogando hoje contra o Macaé foi algo maravilhoso. O cara toca na bola com maestria, sabe construir jogadas, é desembaraçado, inteligente, elegante (tudo bem, teve aquele carrinho no goleiro do Macaé), atento, esperto e ótimo finalizador. Vem buscar jogo, ajuda no meio-campo, cabeceia com precisão cirúrgica, é aguerrido, não se faz de estrela e tem aquela cara de moleque levado. Por trás dessa estampa tem um grande atleta, autor do gol mais rápido da Copa São Paulo de Futebol Júnior, pelo América (MG) contra o Vila Nova (GO), em 2003. Campeão mineiro pelo Cruzeiro, em 2004. Artilheiro do estadual e da Copa do Brasil em 2005. Tricampeão francês pelo Lyon em 2005, 2006 e 2007. O cara é o bicho!!! Que consiga trazer bastante títulos pro Fluzão das Laranjeiras. Naquilo que me concerne voltei a jogar uma pelada aos finais de semana, na Arena Show de Bola. Não sou nenhum matador como Fred, nem fenômeno como Ronaldo, mas também não ando decadente como o futebol do meu Norte. Voltando ao assunto futebol amapaense deixo bem claro que não torço pras coisas ficarem pior do que já estão. Pela maciça presença de torcedores no jogo do Cristal contra o Brasiliense deu pra sentir que o povo está faminto de bons espetáculos de futebol. Se só a torcida do Cristal se deslocasse pro Glicério não dava pra encher nem uma fileira de assentos na arquibancada. Portanto, os torcedores foram lá por absoluta falta de opção de assistir uma partida de futebol de relevância e já que a única oportunidade é essa de a cada ano vir um clube de outros estados pra jogar contra nossos representantes nos nossos estádios, pela Copa do Brasil. Aliás, nosso único estádio, tão mal cuidado, demonstrando um total descaso das autoridades do desporto local com essa grande massa de torcedores e apreciadores de uma espetacular partida de futebol.
Escrito por pepe mattos às 04h11
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