Politicando... Uma sensação de déjà vu. No horizonte, nada de novo. O Amapá mais se parece com a Sucupira fictícia da tv. Dias Gomes não poderia ter imaginado um lugar melhor para servir de cenário à história de Odorico Paraguassu. Lembram da visita do ministro Lobão recentemente? Sucupira é aqui! Enquanto isso, paira no ar um estado de sensaborismo, de total paralisação dos sentidos, da vontade de lutar pelo novo, que, afinal de contas, não é tão novo assim. No máximo, diferente... Mas até quando será diferente? Tome-se, como exemplo, as eleições, a passada e a vindoura. Depois da vitória da situação no apagar das luzes e na distribuição de R$ 50,00 a torto e a direito (jamais à esquerda) vimos a nomeação do prefeito eleito sob uma chuva de processos judiciais. Ainda assim, ei-lo nomeado prefeito. E o que há para comemorar? Promessas irrealizáveis, todos sabiam, mas ainda assim, para assegurar seus salários, os acomodados votaram em peso. Mesmo com nenhum apoio por parte da mídia a oposição quase chega lá, mas certamente seria uma vitória de Pirro, já que a Harmonia se mobilizaria para não apoiar o prefeito e aí teríamos mais do mesmo. Ou seja, para onde quer que olhemos só conseguimos ver o nada. Pobre Macapá, pobre Amapá... Os que estão se batendo para abocanhar os principais cargos da próxima eleição e que são da Harmonia em nada vão contribuir para o progresso do Estado. Só para o deles mesmo... O vice-governador, o presidente da assembléia legislativa e o ex-deputado que ficou em 3º lugar nas eleições municipais jogam no mesmo time. Não trazem nada de novo a não ser seus sobrenomes para os amapaenses de todo o Estado conhecerem. O jeito vai ser votar só pra um senador e anular o 2º candidato. Dá a impressão de que há uma conspiração desde há muito tempo para que as coisas permaneçam do mesmo jeito que estão. E tudo parece estar associado a essa sensação de impotência. Ponderando... Na televisão haja se dar importância a onipresença da Globo e essa onipresença é perniciosa porque cria um estado de total abandono da crítica dos costumes, dos modelos de comportamento e até da própria aquisição do conhecimento. A novela das 8 (quase das 9, na verdade) elege um modelo a ser seguido e copiado. No caso, mostra uma Índia exuberante, moderna, exótica, mas perfeitamente condizente com aquilo que se entende por nação desenvolvida, apesar de suas mazelas. E ponha mazela nisso. Só que isso quase não é mostrado ao povaréu que se esbalda à frente da tv. Esse mesmo povaréu que se gaba de ficar mais inteligente por assistir incondicionalmente a programação global.Infelizmente, esse povaréu não vai levantar a bunda das almofadas e se dirigir aos cinemas para assistir "Quem quer ser um milionário?" (Slumdog Millionaire), de 2008, filme vencedor de 8 Oscars, inclusive Melhor Filme e Melhor Diretor, Danny Boyle (Trainspotting, 1996, tenho a trilha sonora em cd). Logo, não verá uma Índia que a Globo jamais vai mostrar no horário nobre. Assim, não verá a miséria e a pobreza dos indianos que moram nas favelas de Mumbai ou de qualquer cidade grande da Índia. Não verá que não há muita diferença em se morar numa favela da Índia ou do Brasil e que o destino das pessoas pode ser encerrado numa esquina ou num encontro entre facções religiosas, coisa que por cá ainda não acontece. E como não pretendo estragar a curiosidade de quem ainda não viu o filme, paro por aqui de falar nele. Mas a onipresença global se sente quando uma multidão se aglomera para assitir o reality show de todo começo de ano. Haja se discutir quem vai ser a gostosona que vai posar pras revistas masculinas ou o saradão que vai papar todas as mulheres siliconadas do programa e torcer para aquele(a) mais esperto(a)(?) levar um milhão de reais. Para esses macacos de auditório, quem fica de fora ou não acompanha o dia a dia dos brothers (coisa do Bial) é um desplugado. Grande coisa! Aliás, esses mesmos globobos elegeram o Bial o cara! Tudo que ele cita - de livro a frase de qualquer celebridade - vira o must!. Valha-nos quem... Politicando II  Acho que nessa mesma leva de deslumbrados e alienados pode-se encaixar esses celerados que reelegem a turma da harmonia desde o século passado. Não conseguem perceber que estão nos levando do nada para lugar nenhum, desde que mantenham os seus cargos e contratos administrativos. Domingo passado li no Diário do Pará a coluna da Eliane Cantanhede descendo a lenha no Sarney e no Temer. Este, diretamente não nos afeta. Segundo a colunista, Sarney não tem temperamento para dar um choque de moralidade no Congresso e que além de ter mantido disseminou a farra dos privilégios dos parlamentares da casa. Resultado: o Congresso no fundo do poço da moralidade e os parlamentares, nem aí pra isso. Farinhas do mesmo saco? Corporativismo arraigado? Mas, que Sarney fique tranquilo. Sua tropa de choque, aqui na terra do jabá, prontamente saiu em sua defesa. Um articulista se gabava de ter se embrenhado pela periferia em campanha pelo senador. Outro em sua famosa coluna aplica diariamente sua dose cavalar de puxa-saquismo exacerbado. Um tipo de gente que tem medo da oposição (leia-se Capiberibes) voltar a ocupar os principais postos de decisão no estado. A meu ver, simplesmente cessaria o jabá e muitos (senão, todos) os jornais seriam fechados, já que cessaria a fonte principal de receita... Sugestões: Filme - "Quem quer ser um milionário?" (Slumdog Millionaire), em exibição no Cine Imperator. 
Livro - "1984", George Orwell. 
Trilha sonora deste post: Música dos anos 60
Escrito por pepe mattos às 05h06
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No Liverpool Rock Bar
Na última sexta, fui ao Liverpool. Levei meu enteado Yuri junto com sua mãe, minha eterna noiva, Michele. Chegamos debaixo de chuva, daquela chuvinha sacana de toda noite, depois de passarmos pela rockada na Praça da Bandeira, que não tem bandeira nenhuma. Seria justo que se chamasse de Praça da Harmonia, que a gente sabe que existe, mas não vê. Assim está a praça. Lembranças de uma praça cheia de atrativos dum tempo distante. Uma sensação de abandono, descaso total. A galera do rock já instituiu o palanque da praça como seu habitat natural. Sábado sim, sábado não, segundo os frequentadores. Vou lá uma vez ou outra e o que vejo me dá um certo conforto de ver a moçada se esforçar por fazer da praça um point, um local onde os que curtem um som mais adequado à essa fase de adrenalina extremada podem se encontrar e se divertir do seu jeito. Assisti pela 2ª vez o Godzilla e continuo achando que eles têm um bom potencial. O vocalista tem punch, a baixista é competente, o guitarra (não sei se era o mesmo que estava no Liverpool semanas antes) muito dedicado e bom no seu instrumento e o batera me lembrou o Stephen Morris, do Joy Division, muito bom. Letras boas, performance no palco beleza, entrosamento dentro do esperado, enfim, gostei dos caras... Na ocasião, foi anunciada a volta da Fax Modem... Assisti-os na mesma noite em que assisti o Godzilla na Liverpool... Sem querer desmerecê-los, só tive olhos e ouvidos pro Godzilla... Pretendo ouvi-los melhor... Liverpool resiste como o único point onde roqueiros se sentem bem, apesar das limitações de estrutura. Na verdade, aquela mistura de garagem com porão funciona bem, dá um ar trash, garage rock mesmo. Sente-se um ambiente próprio para o rock. Logo quando chegamos havia uma banda levando umas músicas bem ritmadas, com batida swingueira, desconhecida pra mim. Mas a galera estava entronizada com os músicos, de modo que foi bom o que ouvi... Mas a noite era do Stereovitrola... Das bandas que ainda insistem/resistem por aqui, o Stereo se sobressai... Não tenho acompanhado muito o movimento das bandas de rock locais, mas das que tenho material (baixado do site bandas de garagem e acreditem, contra minha vontade porque não gosto de baixar nada, mas como não fiquei sabendo se elas tem cd, foi o jeito), como dizia das que tenho material adorei o 12 Voltz e a Stereo... Aliás, tem sido comum ouvir o 12 Voltz nos lugares onde vou, embora apenas no player. Não tive oportunidade de vê-los ao vivo... Quem souber onde eles se apresentarão, por favor avisem-me... Uma vez ouvi no som do Supermercados Favorito, outra vez no Rock Bar, no balneário do Araxá... Eles facilmente se encaixam numa programação onde se dê espaço para um rock melódico... Comparo a voz do vocalista com a do Guilherme Isnard, da banda paulista Zero, levando um som chamado de new romantic... Fiquei fã dos caras... O Stereovitrola chegou e mandou um som maneiro, facilmente identificável com The Strokes, mas no decorrer da apresentação demonstrou propriedade e deu consistência ao seu próprio som, calcado na rapidez dos acordes das cordas e da bateria... Os caras já são quase profissionais, se já não o são... Também virei fã deles... E não é que lá pelas tantas dei com a Lully adentrando lá também debaixo de chuva?... Essa mesma Lully que apareceu ali na caixa de comentários do meu último post... Foi um prazer revê-la... Bom, não sei se ela vai gostar por eu tê-la citado que eu a vi lá, rsrs... De modos que, galera do Rock Tucuju, mandem brasa e por favor avisem-me de seus shows... Quero assistir todos!!! Long Life to Rock'n'Roll!!!
Escrito por pepe mattos às 22h08
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O tema a esmo

O tema a esmo Distante som de um lugar qualquer poderia entrar agora nesta sala cheia de rosto díspares; vulto nenhum foi visto nos corredores, nem viv’alma perambulava nos canteiros à hora em que se retiram as luzes do dia e se anuncia o esplendor da noite. Eu poderia ter somente meu inamovível e, assim mesmo, insolente banquinho do jardim como companhia nesta noite que me fere o sono. Contudo, atirada na relva, a garrafa amiga ainda guarda intacta metade do vinho que me acende a alma. Poe e Baudelaire brincam por entre as plantas rasteiras que circundam a casa fingindo espanto com as sombras deformadas que saem das lâmpadas no sopé dos postes laterais. Destarte, eu ainda pertenço a mim e a este mundo que me tem em sua redoma de lágrimas. Muito embora as lágrimas aqui descritas nada mais sejam que simples palavras ao acaso. Baixo os olhos e os vultos parados ali a me olhar esperam inertes que os expulse. Já é tarde, enfim. A festa acabou. E a noite em que me vejo assim não é a mesma noite em que meninos e meninas nas ruas, em suas tenras e ingênuas idades, nada mais são que números em formulários de pesquisa. Onde o aviso das trombetas dos anjos que não ouvi? Meus ouvidos entupidos de vil metal derretido nada ouvem. E vão-se explicações sem que ninguém as peçam. E vão-se também meus sonhos embalados pelos acordes dissonantes dos uivos da noite: a mesma noite que me tem em pedra sabão esculpido. Esta, então, é a derradeira noite em que sentado num banco de pedra, eu, em pedra sabão esculpido, ponho-me a olhar o céu que não me devolve o olhar perdido que está em algum lugar desta noite que me fere o sono.
Categoria: Poesias
Escrito por pepe mattos às 21h20
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