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Revelação

 

 

Olhar a imagem

mil vezes embrutecida

da menina correndo

das chamas que consomem-lhe a aldeia.

 

O desespero materializado

na fotografia atinge-me em cheio

e os dedos que seguram-na tremem

nas fímbrias da manhã chuvosa.



Categoria: Poesias
Escrito por pepe mattos às 23h51
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Inquietude

Escrevi este texto por volta de 2002. Não sei por qual motivo usei uma protagonista feminina, mas acho que era porque na época estava lendo um monte de autoras que iam de Lygia Fagundes Telles a Virginia Woolf, passando pelas inevitáveis Clarice Lispector, Ana Miranda, Elizabeth Bishop e Florbela Espanca.  

 

Inquietude

 

E então, me vem aquela sensação esquisita que não tem nome. Porque todas as coisas nomeadas me fogem e fica só essa que não tem nome nem hora certa para aparecer. E dá um grande vazio e uma vontade imensa de preencher este vazio com estas lágrimas invisíveis que teimam em ficar neste espaço lacrimal (deve ser assim que chamam para esta bolsa que existe entre os olhos e a membrana que os protegem). Ora, acontece que este espaço lacrimal me faz seu refém à medida em que acredito nesta maldita situação de dependência por sinal inusitada. Não só inusitada, mas absurda, surreal. Enfim, ilícita. E não há a mínima possibilidade de que estas considerações venham a diminuir o impacto causado por esta inquietação, ainda sem nome.

Também queria dizer que tudo isso é sem sentido e me deixa assim sem movimento e sem raciocinar direito. É como uma dor que penetra o corpo inteiro, comprimindo os pulmões, deixando uma acidez no estômago. Uma ferrugem se instala no paladar e as paredes bucais parecem lixa onde uma áspera língua passeia sua aquosa superfície. E em meio a tudo isso ainda conto a meu marido que quando vinha para casa aconteceu de eu dar uma carona a uma descuidada senhora, já de idade, e seu marido que parecia sofrer de problemas respiratórios. Estava um tempo meio chuvoso e numa esquina deparei com ela fazendo sinal típico de quem esperava por um táxi. Mesmo assim estacionei junto a eles. Disse-me: “Estou precisando ir lá na Marcílio Dias, entre Leopoldo Machado e Jovino Dinoá”. Como ia para aqueles lados deixei-os entrar. Não conversamos durante o trajeto o tempo todo. Ela demonstrou total domínio da situação. Parecia estar a bordo de um táxi de verdade onde fala-se o mínimo ou nada com o motorista. Verificou na bolsa a carteira porta-cédulas. Tirou uma nota de dez reais. O velho resmungou qualquer coisa e ela acalmou-o dizendo que já, já chegariam ao seu destino.

Fiquei a conjeturar se realmente ela pensava estar num táxi e achei que sim já que havia tirado até o dinheiro para pagar a “corrida”. Sorri, um tanto curiosa com o que ia ocorrendo, esquecendo por alguns momentos aquilo que me perseguia a alma e, de quebra, o corpo.

Chegando no perímetro que a senhora mencionara ela apontou para uma casa de muro branco onde havia um portão de grades vermelhas. A chuva já não mais caía forte e a tarde parecia uma casa grande de teto cinza. Os dois desceram do carro com muito cuidado e após fechar a porta com certo estrondo, a senhora perguntou-me o que eu já esperava: “Quanto custa?”. A muito custo fiz-lhe ver que não era carro de praça e que portanto não custava nada. Só então ela procurou com o olhar o taxímetro e alguma placa de táxi que desfizesse minhas argumentações. Não encontrando se desfez em desculpas e pedindo que justamente por este motivo eu aceitasse os seus dez reais. Recusei amavelmente. Despedi-me dos dois seguindo finalmente para casa trazendo como sobrecarga esta inquietação que me sai mais caro quando dela me dou conta.

 

 

 

 

 

©                  2002 Pedro Paulo Matos Ribeiro

 

 



Categoria: Conto
Escrito por pepe mattos às 23h36
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O post da Alcilene sobre o WG 2009

No blog da Alcilene Cavalcante, o Repiquete, tem um post do dia 25/10, que ta dando o maior sururu e sua caixa de comentários, como ela diz, “bombou”.

Trata-se de um post elogioso ao governador do estado, Waldez Góes, devido ao seu atual posicionamento frente aos destinos e ao presente de nosso Estado. Evidentemente que não se pode falar do presente e do futuro sem fazer referência ao passado, matéria na qual o mesmo WG parece repisar com sandálias de humildade, uma vez que é fato que se sabe que ele mesmo fazia pouco dos projetos que o ex-governador Capiberibe tinha para o Amapá, através de um certo PDSA (Plano de Desenvolvimento Sustentável do Amapá), ridicularizado por toda troupe do WG, incluindo aí, correligionários, parlamentares de apoio, e principalmente a “imprença” mantida a gordos fardos de jabá.

Num dos meus últimos posts sobre política (28/05/09) declarava um certo sensaborismo em tocar quase sempre nesse assunto, já que pouco ou nada acontecia de relevante para uma mudança na condução dos destinos do Amapá, principalmente porque a “tchurma” que manda e desmanda por cá não demonstra o menor interesse em fazer algo de concreto para a população que lhes paga casa, comida e roupa lavada. Acho que a única alegria que tive com esse post foi o brevíssimo comentário deixado pela mesma Alcilene, que me deixou muito honrado.

Ultimamente a impressão que me assola é que eu cansei de brigar com a realidade. Querer que as coisas mudem, sem fazer o mínimo necessário para que isso aconteça, é pura insensatez. Como eleitor até que faço – pouquíssimo, bem sei. Saio de casa pra votar e voto, pronto. A coisa morre aí. Daí em diante é esperar que os candidatos em quem votei vençam e façam o dever de casa. Mas o que fazer se os parlamentares em quem votei fazem parte de uma minoria relegada a mera função de bibelô de estante empoeirada? E lá se vai todo um projeto de mudança que eu entreguei nas mãos de quem eu votei. Mudança que não acontece, vira poeira na estrada do nada. Mais dois anos, nova esperança, velha estupidez.

Confesso que qualquer um que saia além de suas promessas de trazer desenvolvimento (vá lá, sustentável) para cá e realmente possa fazer isso, merece meu voto. Acho que é isso que Alcilene quer dizer.

Já não importa muito a que legenda ou a que senhor o parlamentar beije mão, desde que nosso Estado possa de uma vez por todas entrar no círculo fechado dos Estados que crescem a olhos vistos. Um Estado no qual possamos acreditar que as coisas acontecem sem a névoa dos negócios obscuros, sem a mácula do nepotismo imoral, sem a sombra de nomes famosos por falcatruas nacionais.

Não consigo acreditar que nossos políticos só acreditem na própria sobrevivência se ela estiver atrelada a alguém que um dia foi poderoso ou o seja hoje. É a mais ridícula forma de se ver realizado: através de outro, que um dia cobrará por esse serviço, custe o que custar.

Embora a maioria dos comentários deixados neste post da Alcilene sejam contrários ao que ela publicou (uns até chegam a acusá-la de ter se vendido aos Góes), uns poucos parecem concordar que essa mudança de posicionamento do WG – embora me pareça mais marqueteira do que outra coisa – mostra um certo, vamos lá, amadurecimento, ainda que contenha, em minha opinião, muito da pressão mundial em torno do desenvolvimento sustentável, como política de desenvolvimento realmente compromissada com os rumos que se quer implantar no mundo todo visando um crescimento das cidades e nações em sintonia com a preocupação com o meio-ambiente.

Por outro lado, é sempre bom ficar atento no que possa estar em jogo, sabendo-se que 2010 é um ano eleitoral e que muita água vai rolar embaixo da ponte.

De qualquer forma, deixo meu apoio à Alcilene e a qualquer um que faça algo de concreto para uma mudança ampla, geral e irrestrita na condução do destino do Amapá. Afinal, oito anos de harmonia e parcerias jogaram o Amapá e Macapá na rabeira dos índices de desenvolvimento humano e afins. Se WG quer tirar uma lasquinha e tentar uma das 2 cadeiras do Senado pra 2010 é bom que faça algo de concreto para a melhoria da condição de vida dos amapaenses. Dando uma olhada minuciosa nos comentários há sérias acusações de desvios de dinheiro público, desmandos, falcatruas, obras não realizadas e outras coisitas mais. WG vai ter que correr contra o tempo e o tempo está encurtando...

Palavra que tremi quando no final do post, pensei ter lido: “Ta liberado, pessoal. Pode votar sem medo”... Ainda bem que li direito e está lá:”Ta liberado, pessoal. Pode voltar a falar sem medo”...

Credocruz...!!!



Escrito por pepe mattos às 23h28
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