Destino

 

(1855)

 

 

 

Minha poesia

é algo que não domino.

 

Algo que, mesmo preso

em caixas de Pandora,

caixas-pretas ou caixões,

sempre se espraia

feito miúdas folhas secas

para além das cercas.

 

Vez ou outra

eu a encontro amontoada

nas calçadas

esperando uma pá

que abrevie sua não-existência.